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Já ouviu falar em positividade tóxica?


A imagem apresenta duas mãos: uma segurando um rosto feliz com fundo amarelo e a outra, um rosto triste com fundo verde.

“Ei, você consegue! Pode ter acordado batendo o dedinho na quina da cama, mas agradeça por ter dedos e cama!” Quantas vezes nos deparamos ouvindo e reproduzindo essa positividade de forma tóxica, invalidando a dor do outro?


Estudos mostram que após a pandemia da COVID-19 a sociedade disseminou uma forma de pensamento que vai além do otimismo: a positividade tóxica. Vemos hoje muitas consequências vindas desse movimento de “diariamente tudo pode ser feito, conseguimos ser produtivos 24h por dia, ser extremamente felizes em todas as áreas da nossa vida, basta querer!”. Será mesmo? Ou essa é uma fantasia que vemos e vivemos nas redes sociais?


Otimismo X Positividade Tóxica

Otimismo no dicionário significa “disposição para ver as coisas pelo lado bom e esperar sempre uma solução favorável, mesmo nas situações mais difíceis”. Isto é, aceitamos e entendemos que uma doença, um desastre natural ou um luto, por exemplo, é ruim, e gera sentimentos negativos, mas ao mesmo tempo buscamos de forma individual ou em grupo resoluções que tendem a gerar uma condição positiva.


Já a positividade tem seu significado como “estado do que é positivo”. Notamos aí uma diferença por assumir a situação como boa e ponto. E, por fim, é importante lembrar que a palavra tóxico representa “o que produz efeitos nocivos no organismo”. Sendo assim, o termo positividade tóxica vem a partir do enfrentamento extremamente positivo das adversidades diárias, negando que o fato ruim existiu, ou deixando de vivenciar as emoções negativas.


E quais as consequências de agir dessa forma? Segundo os autores Carvalho e Kupermann (2022), a positividade tóxica afeta diretamente a saúde mental, podendo gerar o negacionismo das situações ruins ou dos próprios sentimentos negativos, podendo causar o narcisismo ou petulância, e até mesmo a falta de empatia pela dor das outras pessoas. Além disso, diminui os nossos alertas internos das situações de perigo. Dessa forma, podemos perder habilidades de convívio social e gerar sofrimento mental a partir da autocobrança em sermos felizes em todos os momentos, não nos permitindo falhar e nem vivenciar a dor, seja ela nossa ou das pessoas ao nosso redor.


Ser positivo ou otimista é sim uma característica importante para enfrentar as adversidades da rotina, porém quando de forma tóxica excede a normalidade do ser humano, podendo gerar malefícios pessoais e sociais. Os sentimentos conhecidos como positivos só podem ser identificados e vividos se também conhecermos e vivenciarmos os negativos. Se permita viver de forma inteira e humana, o bem e o mal, a alegria e a tristeza!


Luana Segismundo Molessani | Psicóloga da Starbem | CRP: 06/167361



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